sábado, 21 de abril de 2012

Nîmes e Ponte do Gard

Tudo que eu sabia de Nîmes era que o Metallica tinha feito um show chamado "Français por une nuit." na arena da cidade, vi o vídeo e fiquei enolouquecida com o show e o lugar, quando soube que era próximo à Avignon quis ir lá conferir.

Bom, confesso que a cidade em si foi uma pequena decepção tirando a arena e uma outra construção chamada Maison Carée, achei tudo feio, acho que criei uma expectativa muito grande pelo fato da arena lembrar o Coliseu de Roma e fiquei esperando algo parecido com a capital italiana.

A arena de Nîmes é um anfiteatro romano e foi construído em 27 a.C. , claro que já foi reconstruído e remodelado após esse período e hoje é utilizado para touradas, duas vezes ao ano, shows e óperas.




O outro ponto de interesse é a Maison Carée, um templo romano mais antigo que a arena, construído em 16 a.C. hoje funciona como espaço cultural, no dia em que fui teria a exibição de um filme em 3D.

Maison Carrée

Maison Carrée
Visitei pertinho de Nîmes a Ponte do Gard, patrimônio histórico da Unesco foi construída no ano I a.C e é simplesmente uma obra prima. A ponte na verdade foi um aqueduto que levava água de Uzés até Nîmes. Essa semana li uma matéria que a listava como uma das pontes mais famosas e incríveis do mundo e não é por menos, a visão é de tirar o fôlego.

Pont du Gard

Uma pena que não tinha água passando por baixo

Pont du Gard

Pont du Gard

Avignon

 Da Borgonha para a Provence, sul da França, região onde o clima é mais agradável e a natureza é de encantar os olhos. Ano passado cheguei a conhecer duas cidades dessa região: Aix-en-Provence e Marseille, aliás acabo de constatar que não escrevi sobre elas aqui, quando terminar essa série de posts, farei esse registro tardio.

Dessa vez o destino escolhido foi Avignon, essa cidade possui uma importância histórica por ter sido residência dos papas nos anos de 1309 à 1377. Sete papas viveram por lá numa construção gótica linda que está de pé até hoje e transformou-se em um museu: o Palácio dos Papas e nessa mesma época foi construída uma muralha ao redor da cidade para protegê-los.

Palais des Papes

Palais de Papes


Ao lado do Palácio dos Papas há um parque arborizado que dá uma vista bem legal pro Rio Rhône, tive a grata surpresa de presenciar a Procissão de Reis que ocorria no exato momento da minha visita.

Procissão de Reis

Procissão de Reis


Em Avigon há também uma ponte famosa sobre o rio Rhône, a ponte Saint-Bénezet ou Ponte de Avignon, construída entre 1171 e 1185 foi destruída e reconstruída várias vezes por conta das cheias do rio, em 1660 teve mais uma cheia que a destruiu parcialmente e não foi mais reconstruída o que dá um charme especial a ela.

Pont d'Avignon

Rio Rhône


É bem verdade que não há muuuita coisa pra se fazer em Avignon, então 1 dia é suficiente para visitar os pontos mais interessantes, é uma cidade boa pra se ter como base para explorar a Provence, na própria oficina de turismo da cidade você pode contratar passeios pela região, eu fiz um para Nîmes, Pont Gard, Baux en Provence, Saint Rémy e a região vinícola Chateneuf du Pape, falarei delas em outro post.




segunda-feira, 16 de abril de 2012

Beaune

Para se visitar as vinícolas da região da Borgonha geralmente os viajantes escolhem entre duas cidades para se ter como base: Dijon ou Beaune, a primeira é a capital da região, uma cidade "grande", a segunda é menor, não passa de 30 mil habitantes, escolhemos a segunda opção pois seria complicado conhecer bem Dijon tendo apenas 2 dias disponíveis, os quais seriam divididos com as vinicolas.

O principal monumento da cidade é o Hospital de Beaune idealizado pelo Duque Nicolas Rolin e fundado em 1443 no período da Guerra dos 100 anos entre França e Inglaterra, um período de muita pobreza e miséria na França, o duque se sensibilizou com a situação dos habitantes e decidiu utilizar a sua riqueza pelo bem da humanidade tendo sua esposa como parceira nessa empreitada.




Em Beaune, jantei num lugar maravilhoso Le jardin des remparts, atendimento impecável e comida surpreendente. Comi escargot pela primeira vez com um molho de ervas maravilhoso, até salivei agora só em pensar, delícia demais. Comi também algo que eu queria ter comido há muito tempo: vieiras ou coquilles saint jacques, sempre via esse fruto do mar ser preparado no programa Top Chef  e tinha curiosidade em experimentá-lo, no La Palma até vende, por 90 reais um pacote que não dá nem 1 kg e é congelado, então nada melhor do que comê-lo fresquinho na França.

Um foie gras de entrada

As vieiras de sabor até então desconhecido

Um chocolate com caramelo pra fechar com chave de ouro
Estando na região vinícola mais importante da França, não poderia deixar de visitar alguma delas. Infelizmente, março não é o melhor período para esse tipo de visita pois a colheita foi feita no final do ano e ainda não nasceu nada, então a paisagem não é das melhores, me lembrou um pouco os períodos de seca em Brasília (rs). Então, eu já não entendo muito de vinho, a paisagem não estava lá essas coisas e depois de ter almoçado, o sono foi inevitável, peço desculpas aos amantes de vinho que dariam tudo pra estar no meu lugar, mas eu dormi, um sono bom danado e fiquei chateada quando o motorista da van parou pra gente descer e  mostrar o local onde se era plantada a uva de um dos vinhos mais caros do mundo...um pecado, eu sei...








      

Castelo de Chenonceau

O Castelo de Chenonceau fica no Vale do Loire, região preferida dos príncipes e reis franceses por reunir lindas paisagens, clima agradável e bons vinhos. São mais de 300 castelos desde fortificados a luxuosas moradas reais, atualmente os mais importantes e visitados não passam de 10 e eu desejava conhecer pelo menos 3 deles: Chenonceau, Blois e Chambord, mas devido a imprevistos com o carro na viagem só pude conhecer o Chenonceau.





Eu adoro visitar castelos que ainda preservam toda a mobília, principalmente as camas, decoração, quadros, utensílios de cozinha, adoro admirar a riqueza dos detalhes da arquitetura externa e fico inconformada com a pobreza, (seria preguiça?) estética das construções atuais.


É o segundo castelo mais visitado na França, o Castelo de Versailles é o primeiro, eu fui bem cedo e não peguei fila e fiz uma visita tranquila, quando saí por volta das 10:30 vários ônibus de turismo se aproximavam e lá por ser menor que Versailles, eu imagino que complique um pouco.

domingo, 8 de abril de 2012

O Monte Saint Michel

Seis meses depois e estava eu lá de novo na França. Visitei lugares dignos de cenário de filmes e decidi reabrir o blog para registrá-los em um outro lugar que não seja só a minha memória, que já está começando a falhar.

O primeiro registro foi também o primeiro destino nessa curta e intensa viagem de 10 dias pelo interior da França: o Monte Saint Michel.

Desde 1979 o monte Saint Michel é considerado Patrimônio Mundial da Unesco, sempre citado como uma das 7 maravilhas da França é um destino certo para milhares de turistas que visitam a pequena vila todos os anos.

A história do monte começa nos anos 700 quando o bispo de Avranches ordena a construção de uma abadia em homenagem ao anjo São Miguel, 2 séculos depois monges beneditinos passaram a habitá-la e com isso uma pequena vila foi se formando ao redor desse monumento grandioso. O monte tornou-se símbolo da identidade nacional francesa após resistir à inúmeras tentativas de invasão inglesa durante a Guerra dos Cem Anos.

Sua localização é a 322 km a oeste de Paris e fica praticamente no meio do nada, é possível visualizá-lo à distância e à medida que você vai se aproximando, mais encantado você fica com o lugar.



Quase me esqueço de mencionar, o monte é uma ilha, mas só se transforma em ilha mesmo quando a maré está cheia. Quando eu cheguei era final de tarde e a maré já tinha vazado, no dia seguinte ela tornou a ficar cheia às 5:37 da manhã, nem preciso dizer que não acordei para vê-la.

Sombra da Abadia
Geralmente os turistas fazem um "bate volta" com ônibus de turismo, saem de Paris às 7 h da manhã, chegam lá por volta das 11h e retornam às 16/17 h. Eu fui de carro porque achei esse esquema muito cansativo e também queria passar uma noite lá, cheguei às 18 h e não tinha mais nenhum ônibus de turismo, a vila estava calma e tranquila, presenciei um lindo pôr-do-sol, pude caminhar tranquilamente pelas ruas estreitas e ainda peguei algumas lojinhas de souvenirs abertas.





No dia seguinte quando estávamos indo embora a vila estava assim, lotada de turistas. Então, já sabem, quando forem ao Monte Saint Michel, cheguem por volta das 17 h, passem a noite, visitem o interior da abadia logo cedo e 11 h é só partir pro próximo destino.


Mais dicas úteis: são poucas as opções de hotéis dentro da vila, poucas e, portanto bem caras, eu fiquei num hotel com ótimo custo benefício que fica no continente, a 1,5 km do monte, o Hotel Vert. Última dica, não deixem de experimentar uma "cachaça" feita à base de maçã típica da região: o Calvados.

Adorei demais esse lugar, ganhou um cantinho especial na minha memória afetiva.